MANTER O FOCO

Foi na fé que todos eles morreram, sem terem obtido os bens prometidos, mas tendo-os somente visto e saudado de longe, confessando que eram estrangeiros e peregrinos sobre a terra. Ora, os que assim falam mostram que procuram uma pátria. Se eles tivessem pensado naquela que tinham deixado, teriam tido oportunidade de lá voltar; mas agora eles aspiram a uma pátria melhor, isto é, à pátria celeste. Por isso, Deus não se envergonha de ser chamado o ‘seu Deus’, porque preparou para eles uma cidade.” (Hebreus 11,13-16)

A leitura de hoje da Epístola aos Hebreus, assim como as demais leituras deste período de transição para o Ano Novo, nos recorda a necessidade de renovar nosso senso de propósito, uma pátria melhor, celestial, e também nosso senso de pertencimento, que é em Deus. Porque, quando perdemos o foco nessas duas coisas, deixamos de avançar e ficamos paralisados por desperdícios de tempo, como a ingratidão, a insatisfação com o mundo e com o nosso lugar nele, e a solidão. Se não trabalhamos na renovação e no realinhamento da nossa visão, do foco que Deus nos deu, tendemos a ficar estagnados, assim como aqueles que pensavam na pátria “que tinham deixado”.

À primeira vista, a leitura parece falar dos “estrangeiros e peregrinos” do Antigo Testamento, como Abraão, Sara, Moisés e tantos outros. No entanto, ela foi escrita sobre nós e para nós. Isso fica ainda mais evidente quando prosseguimos para o capítulo seguinte, no qual o autor de Hebreus afirma: “Deste modo, também nós, circundados como estamos de tal nuvem de testemunhas, deixando de lado todo o impedimento e todo o pecado, corramos com perseverança a prova que nos é proposta, tendo os olhos postos em Jesus, autor e consumador da fé” (Hebreus 12,1-2a).

Este tempo das Teofanias, que inclui o Natal, a Teofania, ou manifestação de Deus a nós em Belém, a Adoração dos Magos, Sua manifestação aos gentios, e a próxima festa da Sua (re)aparição no rio Jordão para ser batizado, ou imerso, nas águas do nosso mundo material, todo esse período é um grande lembrete de que Deus está profundamente conosco, inclusive no caos dessas águas, e de que não estamos sozinhos. Ele Se prepara e Se faz presente, repetidas vezes, para nos recordar do convite a participar da “prova que nos é proposta”.

A metáfora esportiva ajuda, mesmo para aqueles que não são muito atléticos, porque ela nos lembra que basta um pouco de exercício diário para manter ou reavivar nossa fé na presença constante de Deus. Diariamente, podemos exercitar nossos músculos da gratidão com uma oração sincera e momentos de contemplação. Talvez possamos ler um trecho das Escrituras todos os dias, acender uma vela diante dos ícones, ou manter um diário com nossas alegrias e desafios apresentados a Deus.

Ele “não Se envergonha” de nós, “de ser chamado” nosso Deus, mesmo enquanto somos “estrangeiros e peregrinos sobre a terra”, um povo que, em muitos momentos, carrega a sensação de não ter “obtido os bens prometidos” que esperava em diferentes fases do passado. Voltemos nosso olhar para Jesus, “autor e consumador da nossa fé”, e nos reconectemos com Ele e com Sua grande “nuvem de testemunhas”, do passado e do presente, no caminho de carregar a cruz.

Feliz primeiro dia da Pré-Festa da Teofania para os amigos do Calendário Juliano Revisado, ou primeiro dia da Pré-Festa da Natividade para aqueles que seguem o Calendário Juliano Tradicional.

Versão brasileira: João Antunes

© 2026, Ir. Vassa Larin
www.coffeewithsistervassa.com