O SIMBOLISMO DO RIO JORDÃO

Em breve, na Igreja Ortodoxa (Calendário Juliano Revisado) e nas Igrejas Católicas Orientais, celebraremos a festa do Batismo do Senhor. Por isso, gostaria de partilhar alguns fatos curiosos, menos conhecidos, sobre o simbolismo do Rio Jordão, no qual Ele foi batizado.

O nome do rio “Jordão” (em hebraico Nehar ha-Yarden, da palavra hebraica yarden, que significa “fluir para baixo” ou “descer”) pode ser traduzido como Aquele que Desce ou O que Flui para Baixo. O rio nasce de várias fontes no Monte Hermon, ao norte da Terra Santa, e desce dali em direção ao sul, passando pelo Mar da Galileia e seguindo através de Israel, até desembocar no Mar Morto.

Esse caráter de “descida” do rio é visto como um símbolo do próprio Cristo, Aquele que “desce” do Céu para “fluir” através de Israel, espalhando a Boa-Nova da graça, da verdade e da vida, simbolizadas pela água. As nascentes do rio no Monte Hermon, cujo nome significa “sagrado”, formam um conjunto montanhoso com três picos distintos, tradicionalmente interpretados como símbolo da Santíssima Trindade. Assim, esse monte representa o “Céu” ou a morada de Deus, de onde o Filho de Deus desce até nós.

O destino final do Jordão, o Mar Morto, chamado em hebraico de “Mar do Sal” (Yām HamMelaḥ) e também de “Mar da Promessa” (Yām Ha’Ărāvâ, da palavra eravon, que significa “penhor” ou “garantia” de que uma obrigação será cumprida), simboliza várias realidades:

1. A morte de Cristo, na qual Ele permanece incorruptível, sendo o sal símbolo de incorruptibilidade.
2. “O Espírito Santo prometido, que é a garantia (arrabon, em grego) da nossa herança…” (cf. Efésios 1,13s).
3. O fato de as águas do Jordão se deterem no Mar Morto, não seguindo adiante, mas evaporando-se para o ar, simboliza também a ressurreição e a ascensão.

Tudo isso se aplica ao nosso batismo? Sim. Mesmo não sendo batizados com o batismo de João, nem a maioria de nós tendo sido batizada no Jordão, somos verdadeiramente batizados na morte e na ressurreição de Cristo. Pode-se dizer que somos batizados no “fluxo” do movimento do Senhor, descendo com Ele à Sua, e à nossa, vocação de serviço aos outros, em palavra e em ação, até a morte e a ressurreição no Seu Espírito.

No cristianismo primitivo, essa ideia de ser batizado no Seu “fluxo” era fortemente enfatizada, pois a forma preferida de celebrar o batismo era em “água viva”, isto é, em rios, em água corrente. Contudo, mesmo quando não somos batizados num rio, recordamos que o “batismo” ou a “imersão” de Cristo, que é o significado da palavra batismo, nas águas do Jordão, santifica todas as águas do mundo, incluindo aquelas em que fomos batizados.

O mesmo acontece com os outros elementos clássicos, terra, ar ou vento, e fogo, que também foram santificados:
– a terra, anteriormente amaldiçoada em Gênesis 3,17, pela Sua sepultura no solo;
– o ar ou vento, pela Sua ascensão e pela “forte rajada de vento” do Espírito Santo no Pentecostes (Atos 2,2);
– o fogo, pelas “línguas, à maneira de fogo” que pousaram sobre a Igreja nesse mesmo dia (Atos 2,3) e que repousam invisivelmente sobre nós em cada sacramento, no qual somos batizados ou imersos “no Espírito Santo e no fogo” (Mateus 3,11).

Glória a Ele.

Versão brasileira: João Antunes

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