TEOFANIA, VÉSPERA DO NATAL, OS MAGOS

Então, veio Jesus da Galileia ao Jordão ter com João, para ser batizado por ele. João opunha-se, dizendo: ‘Eu é que tenho necessidade de ser batizado por ti, e Tu vens a mim?’. Jesus, porém, respondeu-lhe: ‘Deixa por agora. Convém que cumpramos assim toda a justiça’. João, então, concordou. Uma vez batizado, Jesus saiu da água e eis que se rasgaram os céus, e viu o Espírito de Deus descer como uma pomba e vir sobre Ele. E uma voz vinda do Céu dizia: ‘Este é o meu Filho muito amado, no qual pus todo o meu agrado’.” (Mateus 3,13-17)

A aparição do Espírito de Deus “como uma pomba” aqui nos recorda a pomba que voltou a Noé com um ramo de oliveira (Gênesis 8,11), sinalizando que as águas do dilúvio estavam baixando e que uma nova vida logo seria possível. O Espírito de Deus revela um simbolismo semelhante da pomba no batismo do nosso Senhor no Jordão, celebrado hoje segundo o Calendário Juliano Revisado, enquanto os que seguem o Calendário Juliano Tradicional celebram a Véspera do Natal, e outros cristãos das tradições ocidentais celebram a Adoração dos Magos.

Todas essas “Epifanias” ou “Teofanias” que hoje nos é dado “ver”, queridos amigos, ao celebrarmos conforme as nossas diversas tradições, nos recordam que as “águas do dilúvio” de nossas vidas, aquelas que antes temíamos, estão recuando, e uma nova vida está se tornando possível n’“Este”, o “Filho muito amado” de Deus.

O que há de “novo” nessa nova vida que se abre para nós em Jesus Cristo? Para João Batista, o novo e inesperado é o tipo de “justiça” que Ele manifesta. João, como alguém fiel à Lei, não esperava que o Legislador Se submetesse a um batismo que ele, João, havia sido chamado a administrar naquele momento, quando a Lei estava em pleno vigor. Essa completa “imersão” do Legislador na vida do Seu povo, incluindo Sua participação no “batismo de arrependimento” que constituía o ministério de João, revela uma humildade do Legislador que surpreende João.

Do mesmo modo, para aqueles em Belém, que viram Sua vulnerabilidade como um pequeno Bebê, nascido sem alarde algum (exceto todo aquele canto natalino entre os anjos), de uma Virgem adolescente, numa gruta, aparentemente indefeso diante do poderoso Herodes que buscava matá-l’O, também ali havia algo inesperado para um “Rei dos Judeus”. Mas os Magos, “aqueles que adoravam as estrelas”, como cantamos no Tropário do Natal, “o reconheceram” e o adoraram. E isso mudou o rumo de suas vidas, pois voltaram para casa “por outro caminho”. Esse “retorno para casa” me recorda a palavra hebraica para “arrependimento”, teshuvá, que literalmente significa “retorno”.

Ele está abrindo para nós “um outro caminho”, queridos amigos. Um outro tipo de “justiça”, encontrando cada um de nós no próprio caos das “águas” de nossas vidas, sejamos nós magos, pastores, virgens adolescentes, Josés, batizadores ou batizados no deserto, ou até, ouso dizer, um dos Herodes. Cristo nasce, vamos ao seu encontro! Vamos “retornar”, mais uma vez, e permitir que Ele faça as “águas” de nossas vidas recuarem e sejam abençoadas, enquanto hoje recebemos a água benta santificada nas igrejas que celebram a Teofania.

Feliz Festa a todos vocês.

Versão brasileira: João Antunes

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