
“Não queremos, irmãos, que ignoreis a tribulação que nos sobreveio na Ásia. Fomos maltratados em extremo, acima das nossas forças, até ao ponto de perdermos a esperança de sobreviver. Sentimos cair sobre nós mesmos a sentença de morte, para que não puséssemos a confiança em nós, mas em Deus que ressuscita os mortos. Foi Ele quem nos livrou e nos há-de livrar de tão grande perigo de vida; nele colocamos a esperança de que sempre nos livrará, se vós também nos ajudardes, com as vossas orações, a fim de que o dom a nós concedido, pela intercessão de muitos, seja motivo de ação de graças para muitos, em nosso favor.” (2ª Coríntios 1,8-11)
Ontem participei do webinar semanal Open Table Conference, no qual este capítulo da 2ª Epístola aos Coríntios foi ensinado pela notável teóloga Cherith Nordling. Uma das coisas que ela disse e que realmente ficou gravada na minha mente, com base na passagem acima, foi que Deus não está ausente, nem mesmo nos nossos momentos mais desesperadores. São Paulo descreve aos coríntios um desses momentos da sua própria vida, quando ele e seus companheiros “perderam a esperança de sobreviver”. Mas ele também explica o sentido profundo dessa experiência: “para que não puséssemos a confiança em nós, mas em Deus que ressuscita os mortos”.
Toda a Igreja é edificada a partir dessas libertações que surgem de “buracos escuros”, quando nos ajudamos mutuamente nesses momentos por meio da oração, como fizeram os coríntios quando Paulo estava em dificuldade (“se vós também nos ajudardes, com as vossas orações”). Isso gera esperança e gratidão em muitos, juntos: para que “seja motivo de ação de graças para muitos”. Isso alimenta a nossa Ação de Graças, a nossa Eucaristia. É assim que a Igreja é construída.
Busquemos ajuda junto a outros fiéis quando a nossa própria fé estiver fraca. E lembremo-nos de que os nossos momentos ou períodos de fraqueza, como aquela “aridez espiritual” em que nossas orações parecem bater numa parede, não devem ser descartados na nossa mente, como se não contassem no processo da nossa salvação. Pelo contrário, essas quedas fazem parte integrante do caminho de carregar a cruz, como o próprio Senhor demonstrou na Cruz, quando Se sentiu abandonado e clamou: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” (Marcos 15,34b). Algo semelhante aconteceu com Jonas no ventre do grande peixe. Esses momentos, que nos ajudam a desaprender a autossuficiência, estão nos preparando para um arroubo de vida nova, para o fortalecimento da vocação que Deus nos confiou.
A você que se sente fraco ou até desesperado: apeguemo-nos à pequena semente de fé que um dia foi plantada em nós e estendamos a mão uns aos outros em busca de oração. Continuemos a clamar ao nosso Salvador, mesmo quando imaginamos estar batendo contra uma parede. Ele não é uma parede, Ele é uma Porta. Peçamos aos nossos fiéis amigos que batam conosco ou por nós, enquanto mergulhamos nas ondas da Paciência e da Humildade, lembrando-nos de que não estamos sendo rejeitados. Estamos sendo honrados como participantes do grande mistério do Corpo de Cristo, crucificado e ressurreto.
Feliz quinta-feira, Dia dos Apóstolos, queridos amigos!
Versão brasileira: João Antunes
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