O BAIXINHO SOBE NUMA ÁRVORE

[Zaqueu] Procurava ver Jesus e não podia, por causa da multidão, pois era de pequena estatura. Correndo à frente, subiu a um sicômoro para o ver, porque Ele devia passar por ali.” (Lucas 19,3s)

Zaqueu era bem-sucedido e conhecido como “chefe de cobradores de impostos” (Lucas 19,2b), e era baixinho. Os comentaristas frequentemente presumem que sua pequena estatura o tornava manso ou humilde, mas isso não é necessariamente verdade. Pense em alguns baixinhos bem conhecidos dos tempos modernos, como Mahatma Gandhi (1,63 m), Winston Churchill (1,70 m), J. R. R. Tolkien (1,65 m), Volodymyr Zelensky (1,70 m), Vladimir Putin (1,57 m, embora oficialmente 1,70 m), Bob Dylan (1,68 m), Prince (1,57 m), Tom Cruise (1,70 m) ou Martin Scorsese (1,60 m), e agora imagine esses homens subindo numa figueira-brava para ver Jesus Cristo passar. Alguns são, admitidamente, mais fáceis de imaginar do que outros, mas aqui está o ponto: não pensaríamos necessariamente, em cada caso, “Uau, veja como esse baixinho famoso é humilde”. Provavelmente pensaríamos algo como: ele é habilidoso em superar obstáculos.

Eis o que a IA me diz sobre a psicologia dos homens baixos:
“Embora muitas vezes associada à insegurança ou à compensação excessiva, pesquisas sugerem que ser baixinho também pode fomentar resiliência, perspicácia social e mecanismos únicos de enfrentamento.”

Em anos anteriores, também interpretei a história de Zaqueu como a de um homem interiormente humilde, injustamente malvisto pela sociedade por causa de suas atividades “externas”. Mas, se o olharmos de outra forma, como alguém que talvez fosse descaradamente corrupto até o seu encontro com Jesus Cristo, então a narrativa passa a fazer mais sentido. Jesus diz a Zaqueu que “desça” da árvore, o que podemos ver como um convite para descer do seu pedestal, já que Zaqueu não se importava com o que “a multidão” pensava dele, desprezando-a por completo, e pede para hospedar-Se na casa de Zaqueu. É a postura simples e direta do Senhor, e tudo o que Ele é, que conduz Zaqueu ao arrependimento.

Mesmo que retiremos de Zaqueu qualquer humildade inicial, e o vejamos como alguém que superou os obstáculos ligados à sua “pequenez” física e talvez espiritual, ainda assim podemos perceber que o Senhor recompensa essa resiliência. Deus “trabalha com” os pequenos aspectos positivos do nosso caráter, que até então podemos ter canalizado na direção errada, mas que Ele é capaz de transformar, se O convidarmos a entrar em nossa “casa” quando somos chamados. E todos estamos sendo chamados, à medida que a Grande Quaresma se aproxima e temos esta leitura do Evangelho em muitas de nossas igrejas neste domingo.

Que eu “desça” um pouco hoje e procure ver “quem Ele é”, por menores que sejam minhas capacidades físicas ou espirituais. Nosso Senhor não está acima de fazer visitas até mesmo aos menores entre nós, quando descemos um pouco do nosso pedestal. Desculpem se isso soou como um sermão, mas, na verdade, compartilho com vocês aquilo que digo também a mim mesma. Bom fim de semana, queridos amigos!

Versão brasileira: João Antunes

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