TORNANDO-NOS MELHORES UNS PARA OS OUTROS, NÃO PIORES

Quando Jesus chegou àquele lugar, levantou os olhos e, ao vê-lo, disse-lhe: “Zaqueu, desce depressa, pois hoje tenho de ficar em tua casa”. Ele desceu rapidamente e O recebeu cheio de alegria. Ao verem isso, todos murmuravam: Ele foi “hospedar-se em casa de um pecador”. (Lucas 19,5ss)

À medida que nos aproximamos da Quaresma, a tradição bizantina/ortodoxa chama nossa atenção para várias leituras do Evangelho que envolvem os notórios cobradores de impostos. Eles eram “notórios” por boas razões, tanto éticas quanto políticas. Eram judeus que trabalhavam para o inimigo, os romanos, e por isso eram desprezados por motivos políticos. Muitas vezes também eram corruptos, arrancando das pessoas mais dinheiro do que o necessário ou embolsando parte do que arrecadavam, o que acrescentava razões éticas para o desprezo. Isso me faz pensar em nosso clima político atual, no qual podemos desprezar certas pessoas por motivos tanto éticos quanto políticos. Dependendo de nossas inclinações políticas, podemos desprezar quem rotulamos em nossa mente, ou na mente de outros, como “liberal”, “apoiador de Trump”, “woke”, “pró-Putin”, etc. Se a simples menção de algum desses rótulos já causa um nó no estômago, caro leitor, você tem uma boa ideia de como a sociedade judaica normalmente se sentia em relação aos “cobradores de impostos”.

Mas nosso Senhor “levanta os olhos”, olha para cima, e não para baixo, olha para Zaqueu, o cobrador de impostos, “vê-o” e vai à sua casa. Isso torna Zaqueu melhor. Ele foi visto, por isso “desce” de onde estava empoleirado, separado dos demais, e o faz “cheio de alegria”, porque Jesus Cristo quer ir à sua casa. E Zaqueu acaba mudando de vida, sem que nosso Senhor o incentive explicitamente a fazê-lo. Cristo não o repreende nem o elogia de forma direta por sua vida corrupta, Ele simplesmente lança luz sobre ela, Sua luz, pela Sua presença, tão diferente da companhia que Zaqueu costumava ter. Todos os que reclamavam do lado de fora da casa de Zaqueu, murmurando que Ele “tinha ido hospedar-se em casa de um pecador” e o rejeitavam, não o tornaram melhor, nem a si mesmos.

Se simplesmente rejeitamos uns aos outros e/ou lembramos os outros de que são pecadores, por este ou aquele motivo que pode ser evidente, será que realmente os “vemos” como gostaríamos que os outros nos “vissem”? Como Deus nos “vê”? Quero dizer, não como perfeitos, mas como seres humanos com potencial para serem melhores. Talvez hoje eu possa fazer uma pausa e lembrar que os rótulos que coloco em certas pessoas não são de Deus. Ele, de fato, só nos rotulará quando separar as “ovelhas” dos “cabritos” no fim de tudo. Enquanto isso, Ele está agindo entre nós para nos ajudar a “ver” a Ele, a nós mesmos e uns aos outros em Sua luz, como obras em andamento, sempre com potencial de crescer e melhorar. Se formos tentados a reprovar a nós mesmos ou a nossa sociedade neste momento, por nossas inadequações morais e políticas e, sim, também por nossas injustiças, vamos “levantar os olhos”, olhar para cima, e lembrar da nossa capacidade de fazer melhor, quando deixamos Cristo entrar em nossa “casa”, onde Ele deseja nos visitar.

Senhor, enterneça meu coração nesta terça-feira e lança Tua luz sobre meus pontos cegos.

Feliz terça-feira a todos!

Versão brasileira: João Antunes

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