«REALISMO» vs. FÉ, ESPERANÇA E AMOR

Ora, o fim de todas as coisas está próximo. Sede, portanto, sensatos e sóbrios para vos poderdes dedicar à oração. Acima de tudo, mantende entre vós uma intensa caridade, porque o amor cobre a multidão dos pecados.” (1ª Pedro 4,7s)

Tenho ouvido muitas conversas, ultimamente, sobre a necessidade de sermos “realistas” e aceitarmos o mundo como ele é, e a nós mesmos como somos, como se isso significasse que não precisamos nos preocupar com as coisas que estão erradas em nós e no mundo. Mas o Espírito Santo nos chama e nos liberta para mudar aquilo que podemos mudar, segundo nossas diversas vocações, por meio da fé, da esperança e do amor.

A visão que se abre para nós pela fé, esperança e amor “vê” mais do que as “coisas como elas são”; ela vê as coisas como elas serão, em Deus, no “fim de todas as coisas” que São Pedro diz estar próximo. Pode-se dizer que essa visão também vê menos, no sentido de que “o amor cobre uma multidão de pecados”, isto é, aprendemos a deixar passar muitas coisas por causa da nossa “intensa caridade” entre nós.

Isso não significa, de fato, “não ver” a multidão de pecados em nós mesmos e nos outros. São Pedro, na leitura da Epístola de hoje, nos chama a sermos ao mesmo tempo “sensatos e sóbrios” em nossas orações, como adultos na fé. Significa ver a nós mesmos e aos outros, com defeitos e tudo, através do prisma do amor, como Deus nos vê, sempre contemplando nosso potencial de continuar nos tornando quem somos aos Seus olhos, Seus filhos amados.

E isso não é apenas um exercício intelectual, que fica restrito às nossas cabeças. Quanto mais vamos esclarecendo nossa visão, na oração “sensata e sóbria” em comunhão com o Espírito de Deus, mais nossa fé, esperança e amor crescem e nos libertam para avançar e agir de modo a favorecer, em nós e nos outros, a mudança que desejamos, a mudança em que acreditamos, a mudança que esperamos e a mudança que amamos, à medida que a experimentamos pouco a pouco em nós e entre nós.

Que nesta quarta-feira eu não seja escravo do “realismo”, mas permita que Deus entre em meu coração com Sua fé, esperança e amor eternos por todos nós e pelo nosso mundo.

Deus, concedei-me serenidade para aceitar as coisas que não posso mudar, coragem para mudar as que posso, e sabedoria para reconhecer a diferença.

Feliz quarta-feira, queridos amigos e também adversários.

Versão brasileira: João Antunes

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