REFLEXÃO PARA O PRIMEIRO DIA DA QUARESMA

Ouve, ó céu! E presta ouvidos, ó terra! Pois o Senhor falou: ‘Filhos Eu gerei e exaltei; porém eles rejeitaram-Me. O boi conheceu quem o comprou; e o burro a manjedoura do seu senhor; mas Israel não Me conheceu; e o povo não Me compreendeu’. Não suporto as vossas luas novas e os dias de sábado e o grande dia. A Minha alma odeia jejum e repouso, e as vossas luas novas e as vossas festas. Tornastes-vos para Mim uma saciedade, e já não perdoarei os vossos erros. Quando estenderdes as mãos até Mim, desviarei os Meus olhos de vós. Ainda que torneis cheia a súplica, não vos escutarei. Pois as vossas mãos estão cheias de sangue. Lavai-vos, tornai-vos puros. Removei as iniquidades das vossas almas diante dos Meus olhos. Cessai as vossas ações iníquas: aprendei a fazer o bem. Procurai julgamento, salvai o injustiçado; defendei o órfão e sede justos para com a viúva. E vinde e julguemos — diz o Senhor. Ainda que os vossos erros sejam como púrpura, banqueá-los-ei como neve; banqueá-los-ei como lã.” (Isaías 1,2s.13b-18)¹

Esta é uma das leituras de hoje, o primeiro dia da Quaresma. E que leitura inesperada! Deus nos diz, entre outras coisas: “a Minha alma odeia jejum”. Que tipo de jejum a alma de Deus “odeia”? Aquele que está desconectado d’Ele e do Seu propósito, que é “remover as iniquidades” das nossas almas e “procurar” a justiça e a libertação daqueles que são “injustiçados”.

Deus procura dar-se a conhecer a nós, para que “venhamos e julguemos” com a Sua justiça e misericórdia. Ele faz isso, em parte, por meio de disciplinas externas como jejuns e festas. Porque essas práticas nos reúnem, tirando-nos do isolamento, e também nos fazem desacelerar em meio às nossas buscas dispersas e distrações. Mas elas não são fins em si mesmas e perdem o sentido fora de Deus. O “fim” que Deus busca ao nos fazer desacelerar por meio do jejum e dos tempos de festa e descanso é a nossa comunhão com Ele, a nossa harmonia com o Seu amor e a Sua misericórdia.

Que eu não perca de vista a floresta, que é o quadro maior da justiça e da misericórdia de Deus, por causa das árvores, que são as regras do jejum. “Devemos praticar” estas últimas, como o Senhor nos ensina, “sem deixar” as primeiras (cf. Mateus 23,23). Ao iniciar a disciplina salvífica da Quaresma, que eu “venha e julgue” com Deus, como Ele me chama, em oração sincera e em humilde confiança na Sua graça, para que Ele torne os meus pecados “brancos como neve” n’Ele e com Ele.

Feliz início da Quaresma!

Versão brasileira: João Antunes

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¹ tradução da Septuaginta ao Português pelo Prof. Frederico Lourenço