
“Senhor e Soberano da minha vida, não me deis um espírito de preguiça (ἀργίας/праздности, ociosidade), de indolência (περιεργίας, desânimo), de soberba (desejo de poder), de vanilóquio (ἀργο-λογίας/праздно-словия, conversa vã).” (Oração quaresmal de Santo Efrém, 1ª parte)
Aqui, o “espírito de preguiça/ociosidade” ou “ἀργία” (de “ἀ-εργία”, literalmente “não trabalhar” ou “não fazer”) refere-se aos tipos negativos de “não fazer”. Também existem formas boas de “não fazer” em certos momentos apropriados (праздность), porque todos precisamos, ocasionalmente, de uma pausa para sermos restaurados ou “re-criados”, daí a palavra recreação.
Mas, neste contexto, preguiça/ociosidade significa deixar de fazer aquilo que devo fazer, e quando devo fazer, de acordo com a minha “vocação” ou chamado de Deus, segundo a Sua visão e propósito para mim, especificamente por evitar e/ou negligenciar a “respons-abilidade”, isto é, a minha capacidade de responder ao chamado de Deus.
O que me leva a acolher o “espírito de preguiça/ociosidade”, incluindo a procrastinação? Várias coisas, como:
1. A autossuficiência, quando tento carregar minhas responsabilidades sozinho, sem Deus, e, assim, talvez acabe fazendo demais em geral, precisando de descanso, mas sem o tomar nos momentos adequados;
2. O medo resultante, de fracassar e/ou de ter êxito, diante da tarefa que é grande demais para mim sozinho;
3. A perda da visão ou do sentido da minha “vocação”, como consequência de tudo isso.
Nesta manhã de quinta-feira, que eu substitua o medo pela fé, e a autossuficiência pela confiança em Deus, para não ficar preso andando em círculos egocentrados e movidos pelo medo. Que eu volte a focar e a escutar o chamado de Deus para mim, para que eu responda com humilde utilidade a mim mesmo e aos outros.
“Seja feita a Tua vontade” em mim hoje, ó Senhor, segundo a Tua visão amorosa sobre mim e para mim. Amén.
Versão brasileira: João Antunes
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