
“Bebe a água dos teus vasos e dos poços da tua fonte. Que não transbordem para ti as águas a partir da tua fonte; que as tuas águas fluam para as tuas ruas. Que te pertençam somente a ti; e que nenhum estrangeiro tenha parte do que te pertence. Que a tua fonte de água seja somente tua; e alegra-te com a mulher conhecida deste a tua juventude. E que ela seja considerada tua e esteja sempre contigo, pois levado pelo amor dela serás aumentado.” (Provérbios 5,15-18.19b)¹
Hoje, nesta era da Internet, podemos “beber a água” de muitas “fontes” disponíveis, e também “transbordar” a nossa própria água por todos os lados. O que isso significa? Significa algo semelhante a sermos vinho derramado em odres inadequados, de modo que os odres se rompem e o vinho, ou nós mesmos, nesta metáfora, se espalha por toda parte (cf. Mateus 9,17).
Isso quer dizer que podemos nos distrair facilmente da nossa própria vocação e das nossas tradições; da forma específica pela qual somos chamados a servir e a ser úteis, segundo a nossa formação, educação, talentos, circunstâncias, bem como os dons e desafios que nos foram dados. Podemos acabar esquecendo quem somos, onde estamos e com quem estamos, ou até deixar de conversar com a pessoa que está diante de nós, se mantivermos o rosto colado à tela do telefone, constantemente distraídos “em outro lugar”.
A Quaresma oferece-me uma espécie de “curso intensivo” para voltar a me identificar com “a mulher conhecida deste a minha juventude”, isto é, a Tradição que me formou, no meio do conjunto particular de dons e desafios que recebi. Ela me recorda quem eu sou, enquanto o tempo de jejum nos convida a beber profundamente desse poço e a renovar a nossa identidade e o nosso propósito dados por Deus.
Assim, hoje quero beber “da minha fonte” e voltar a concentrar-me nas abundantes bênçãos que tenho aqui e agora.
Senhor, ajuda-me a ser grato e útil hoje, nos caminhos imediatos que colocaste diante de mim. Amén.
Versão brasileira: João Antunes
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¹ tradução ao português pelo Prof. Frederico Lourenço
