
“Senhor e Soberano da minha vida, não me deis um espírito de preguiça (ἀργίας/праздности, ociosidade), de indolência (περιεργίας, desânimo), de soberba (desejo de poder), de vanilóquio (ἀργο-λογίας/праздно-словия, conversa vã).” (Oração quaresmal de Santo Efrém, 1ª parte)
É importante que conversemos e compartilhemos uns com os outros nossos pensamentos, tristezas, alegrias e assim por diante. Não há dúvida quanto a isso. Na verdade, penso que hoje fazemos isso até menos do que deveríamos, numa época em que frequentemente estamos “sozinhos juntos”, mesmo dentro da própria família, cada membro olhando para o seu computador ou celular enquanto está sentado à mesma mesa.
Ainda assim, existe algo que se chama “fala vã” ou “palavras inúteis”, e vale a pena refletir um pouco sobre isso. O que significa exatamente?
Assim como “ociosidade” (ἀργία, de ἀ-ἐργία, ou “não fazer”) significa não fazer aquilo que eu deveria estar fazendo, da maneira, no momento e pelo motivo corretos, também o uso “ocioso” das palavras (ἀργο-λογία), sejam faladas, escritas ou digitadas no computador, significa não dizer aquilo que eu deveria dizer, da maneira, no momento e pelo motivo corretos, de acordo com a minha vocação.
Portanto, “palavras inúteis” envolvem tanto o uso inapropriado ou fora de hora das palavras, quanto o uso delas com a motivação errada. São sempre palavras improdutivas e não construtivas, que acabam causando mais mal do que bem, tanto para mim quanto para os outros.
Quais seriam algumas dessas motivações equivocadas para usar palavras, e por que elas são prejudiciais?
Posso, por exemplo, falar demais sobre certas aspirações ou problemas meus, movido por autoafirmação, autodefesa ou autopiedade. O problema nisso é que posso estar evitando a contemplação silenciosa dessas questões, evitando escutar as respostas que Deus talvez esteja me enviando para resolvê-las, seja por meio de outras pessoas ou de outras circunstâncias.
Assim, acabo bloqueando as respostas com as minhas próprias palavras.
Algo semelhante pode acontecer quando falamos demais até mesmo com Deus, como Cristo nos adverte:
“Nas vossas orações, não sejais como os gentios, que usam de vãs repetições, porque pensam que, por muito falarem, serão atendidos” (Mateus 6,7).
Por isso, hoje quero lembrar algo que li recentemente (na Harvard Business Review, se você quiser saber). É um conselho muito útil, tanto para a vida prática quanto para a espiritual:
“O silêncio é uma fonte de poder enormemente subestimada… No silêncio, pode ser mais fácil alcançar a verdade.”
Que eu saiba interromper as minhas próprias palavras quando elas deixam de servir, e me torne um pouco mais dócil para aprender, no silêncio e na abertura à voz de Deus na minha vida.
Versão brasileira: João Antunes
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