
“Porque a tristeza, segundo Deus, produz um arrependimento que leva à salvação e não dá lugar ao remorso, enquanto a tristeza do mundo produz a morte.” (2ª Coríntios 7,10)
Nesta sexta-feira à noite, em Roma, eu estava sentada no pátio da basílica de Santa Inês, uma jovem de 13 anos martirizada por sua fé no século IV, cujas relíquias se encontram nesta basílica. Observei então um fluxo constante de mulheres que chegavam, uma a uma, ao pátio para rezar e/ou acender uma vela diante da estátua da Mãe de Deus, no local que aparece nesta foto.
Havia no ar uma certa tristeza, mas não uma tristeza mórbida. Era antes aquele tipo de lamento que costuma pairar durante a Quaresma, o tipo de dor silenciosa que as mulheres talvez levem consigo a um lugar onde repousam as relíquias de Santa Inês, que foi executada depois de ser arrastada nua pelas ruas até um bordel, onde provavelmente foi violentada, e onde também uma estátua da Mãe de Deus, que tanto sofreu ao longo de sua própria vida, contempla o pátio.
No caminho de volta para casa, fiquei pensando nas palavras de São Paulo citadas acima. O que seria a tristeza que não vem de Deus, a “tristeza do mundo” que “produz a morte”?
É a tristeza que os seres humanos sentem ao perder aquilo que, na verdade, fomos chamados a perder, para que possamos ganhar a vida eterna. É a tristeza diante do nosso processo de envelhecimento, que é um sinal de que estamos mais próximos de deixar este mundo, algo que a nossa alma deseja, embora o nosso corpo talvez resista. É a tristeza por perdermos amigos que um dia tivemos, porque eles ou nós seguimos adiante, como Deus quis que fosse, seja porque partiram desta vida, seja por outras circunstâncias.
É também a tristeza pelo mundo não nos trazer aquilo que esperávamos, mas sim aquilo que Deus nos trouxe, em Sua providência amorosa.
Graças Te dou, Senhor, por esta noite nesta cidade santa. Aquilo que geralmente é conhecido como o “lamento de Adão”, nesta noite eu vi como o “lamento de Eva”, porque foram apenas mulheres que passaram por este lugar onde eu estava sentada. E ali estavam Santa Inês e a Theotokos, velando por nós, como mulheres que já haviam experimentado a tristeza segundo Deus, aquela que conduz à salvação, depois de muitas provações.
Pelas suas orações, ó Deus amado, ajuda-nos, salva-nos e conserva-nos pela Tua graça.
Versão brasileira: João Antunes
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