AMOR AO PODER

Senhor e Soberano da minha vida, não me deis um espírito de preguiça (ἀργίας, ociosidade), de indolência (περιεργίας, desânimo), de soberba (φιλαρχίας, amor ao poder), de vanilóquio (ἀργο-λογίας, conversa vã).” (Oração quaresmal de Santo Efrém, 1ª parte)

Aqui está algo que muitas vezes penso que pode nascer de um amor ao poder pouco saudável: quando alguém que eu amo ignora a minha opinião sobre um assunto que, para mim, é importante, ou quando enxerga a questão de uma maneira totalmente diferente da minha. E isso me irrita.

Se essa situação me irrita e começa a gerar ressentimento, seja contra essa pessoa, contra mim mesmo ou até contra Deus, por causa da minha impotência em mudar a opinião dela, então provavelmente isso está vindo do meu desejo de influenciar essa pessoa, de ter esse tipo de poder sobre ela. Está vindo justamente desse amor ao poder doentio do qual fala a Oração de Santo Efrém.

Não estou dizendo que devemos ser indiferentes às opiniões realmente ilusórias ou prejudiciais das pessoas que amamos ou de outras pessoas. Mas o fato é que qualquer “poder” ou “autoridade” que possamos ter em alguma área, ou sobre determinadas pessoas, só existe na medida em que isso vem de Deus, que é a fonte de todo poder e de toda autoridade verdadeiros. Por nós mesmos, todos somos impotentes.

Portanto, quando o coração ou a mente de alguém permanece fechado à nossa opinião, e somos incapazes de mudar isso, pode significar que Deus simplesmente não nos concedeu esse poder naquele momento. Então precisamos deixar isso de lado e entregar a situação a Deus.

Precisamos também cultivar a paciência/perseverança, que em grego é hypomoné, palavra que literalmente significa “permanecer para trás”, “saber esperar”. Em outras palavras, podemos recuar e observar o que Deus fará a seguir.

Talvez possamos então rezar assim:

“Graças Te dou, Senhor, por me recordar da minha própria impotência. Cuida Tu de tudo isso, cuida de todos nós, ó querido Senhor e Soberano da minha vida. Concede-me ver os meus próprios pecados e não condenar o meu irmão, pois todos estamos em Tuas mãos, livres e caminhando em nossas próprias jornadas. Tu és bendito pelos séculos dos séculos. Amén.”

Versão brasileira: João Antunes

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