BEBER UMA BEBIDA NOVA

Vinde, bebamos uma bebida nova (Δεῦτε πόμα πίωμεν καινόν, Приидите пиво пием новое), não duma pedra estéril tirada miraculosamente, mas da Fonte da incorrupção, que jorra do túmulo de Cristo, em Quem nos fortalecemos (ἐν ᾧ στερεούμεθα, в немже утверждаемся).” (Ode 3, Hirmos, Cânon Pascal)

Aqui o autor do Cânon Pascal, São João Damasceno, está comparando a água “não duma pedra estéril tirada miraculosamente” por Moisés em Êxodo 17,5-8 (e também mais tarde, em Números 20) com a nova vida que nos é oferecida no Senhor ressuscitado de um lugar inesperado, — de um túmulo de pedra, — em Sua inesperada saída de lá. Todos os dias, sou convidado a “beber” da Sua palavra vivificante, e a “beber” da Sua presença vivificante na minha vida, por mais insensível que eu me sinta.

Nosso Deus é um Deus que transfigura e dá vida até aos “lugares” mais duros, escuros e secos da nossa vida. Como Aquele que de “pedras” pode suscitar filhos para Abraão (Mateus 3,9), Ele próprio se tornou a nossa “pedra” que dá vida (1 Coríntios 10,4), em Quem somos — não esmagados, nem sobrecarregados, nem sepultados, como acontece com os nossos tipos de “pedras”, — não, n’Ele somos “fortalecidos” como Seus filhos, em unidade com Ele, pertencentes e nutridos pelo fluxo criativo das Suas energias divinas, na qual “nunca mais teremos sede” (João 4,14). “Senhor, dá-me dessa água”, a Tua água, digo esta manhã com a mulher samaritana, “para que não mais tenha sede” (João 4,15) fora de Ti.

Versão brasileira: João Antunes

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