A “MALDIÇÃO” DA FIGUEIRA

Um dos principais temas da Segunda-feira Santa, na tradição litúrgica bizantina, é a “maldição” da figueira por Nosso Senhor, depois que Ele não encontra frutos nela alguns dias antes de Sua paixão (Mc 11, Mt 21). Por que Jesus “amaldiçoou” a figueira?

Há duas explicações tradicionais, a segunda das quais, creio, é menos conhecida que a primeira: 1. Ele estava advertindo os escribas e fariseus espiritualmente “infrutíferos” (e o resto de nós) que eles/nós também acabariam/acabaríamos secando e sendo eternamente infrutíferos, se eles/nós continuassem/continuássemos a se/nos recusar a dar frutos; isto é ser de verdadeiro serviço para Deus e para o próximo; 2. Aqui está a explicação menos conhecida (embora esteja incluída no Sinaxário de hoje, com uma referência a Isidoro de Pelúsio): A árvore do Conhecimento do Bem e do Mal no jardim do Éden, da qual Adão e Eva comeram e por isso “caíram”, era uma figueira (não uma macieira!), de acordo com a antiga tradição judaica e cristã. Essa ideia deriva do fato de que eles fizeram roupas de folhas de figueira, a fim de se esconder logo após “a queda”. Veja a foto acima, Michelangelo sabia disso, então ele retratou-a como uma figueira no teto da Capela Sistina. Assim, Nosso Senhor amaldiçoa a figueira pouco antes de Ele prosseguir para elevar-Se em outra árvore, da Cruz, a fim de demonstrar simbolicamente que a “velha” Árvore do Conhecimento é coisa do passado, e que Ele “poderia” ter nos amaldiçoado, e não à árvore, por todo aquele incidente no jardim, — mas Ele não quer fazê-lo. Além disso, ao fazer secar as folhas da figueira, Ele nos mostra que não precisamos mais nos esconder de Deus, por mais pecadores que sejamos. Podemos chegar até Ele, todos nós que estamos sobrecarregados e cansados, — e Ele nos dá “descanso”, quando tomamos Seu jugo sobre nós, e nos deixamos aprender d’Ele, como Um manso e humilde de coração.

Aproximamo-nos d’Ele, e caminhemos com Ele, nesta Semana Santa, até o Gólgota e mais além, com mansidão e humildade.

Lembra-Te de nós, ó Senhor, quando vieres em Teu reino!

Versão brasileira: João Antunes

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