
Pode-se dizer que Judas foi realmente provocado, se você seguir a(s) narrativa(s) do Evangelho, nas quais o “desperdício” de ungir os pés de Jesus (em vez de vender o óleo perfumado e dar o dinheiro aos pobres) irrita tanto Judas, que depois disso ele vai e se oferece para entregar Jesus aos chefes dos sacerdotes. Estou pensando nisto hoje, quando na Igreja Ortodoxa estamos celebrando a Quarta-feira Santa, quando nos recordamos tanto da Unção dos Pés do Senhor pela mulher (não vou discutir aqui a confusão sobre qual mulher/unção estamos recordando hoje), como a Traição de Judas, — e há sempre aqueles que comentarão nas mídias sociais que Judas merece alguma simpatia. Chamo-os de “Judas Versteher” (aqueles que são compreensivos para com Judas), porque me lembram os “Putin Versteher”, que insistem que Putin foi provocado a iniciar uma guerra genocida, como se isso atenuasse o crime contra a humanidade.
Mas a questão de saber se Judas foi provocado não mitiga, é claro, a gravidade de sua traição, nem torna a Vítima desta história culpável. O fato de Judas ter se sentido provocado, — não a uma maior devoção e amor ao Senhor, mas a uma traição mortal, depois que o Senhor enalteceu a mulher por sua “bela ação” (Mateus 26,10), — este já era um sintoma da mente pouco saudável, melhor dizendo, criminosa, de Judas. “Porque era ladrão”, como diz dele São João Evangelista, “e, como tinha a bolsa do dinheiro, tirava o que nela se deitava [colocava]”. (João 12,6). Glória, ó Senhor, a Teus sofrimentos. Слава страстем Твоим, Господи.
Versão brasileira: João Antunes
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