
No sábado que antecede o domingo de Pentecostes, homenageamos todos aqueles que partiram, “desde Adão e até hoje”, como dizemos em um dos hinos desse sábado. Por quê? Por vários motivos:
1. Todo sábado, como o sétimo dia da semana (de acordo com a contagem judaica e grega), era originalmente uma recordação do “descanso” de Deus no Sétimo Dia da criação e, portanto, também daqueles que já estão “adormecidos”, tendo partido das tribulações desta vida. Cristo também “descansou” no sepulcro nesse dia, portanto, o Grande Sábado Santo também “tinge” o significado de todos os sábados do ano eclesiástico. Mas, na maioria dos sábados do ano, costumamos esquecer os temas originais do sábado, seja porque não vamos à igreja na maioria dos sábados, seja porque recordamos este ou aquele santo, cuja memória se sobrepõe aos temas mais antigos do sábado (do descanso de Deus e dos que partiram). O sábado antes de Pentecostes manteve esses temas antigos do sábado e os recorda com solenidade ainda maior, mesmo que o dia de santos muito importantes coincida com esse sábado, porque os fiéis vinham à igreja no dia anterior a Pentecostes desde os tempos antigos, a fim de se prepararem para a grande festa com oração redobrada. Portanto, no caso deste sábado, os temas antigos do sábado foram mantidos em uma tradição ininterrupta.
2. A segunda razão para esse Sábado Memorial tem a ver com o significado do próprio Pentecostes, que celebra a Igreja como um Sacramento da Unidade, incluindo a unidade de nós na terra e daqueles que já partiram. O Pentecostes é frequentemente chamado de “aniversário da Igreja”, porque a Igreja “nasceu” nesse dia, no sentido de que o Espírito Santo desceu sobre os apóstolos, e as mulheres e homens reunidos com eles, concedendo-lhes o dom de se conectarem uns com os outros e com os demais pela graça do Espírito Santo. Também somos dotados deste dom, pela Sua graça, para nos “conectarmos” com a Igreja celestial, com aqueles que já partiram, não diretamente (a menos que a Igreja reconheça um determinado fiel falecido como santo, como alguém que vive na graça de Deus no Reino celestial), mas por meio de orações a Deus por meio deles, na graça do Espírito Santo; de maneiras que não eram possíveis antes desse 50º Dia (Pentecostes) após a ressurreição de Cristo. Antes da vinda de Cristo e de todas as Suas obras salvíficas por nós, culminando com a descida do Espírito Santo sobre a Sua Igreja, todos os que partiram estavam em um reino que estava privado de qualquer comunhão adequada conosco, de modo que era considerado prejudicial para qualquer pessoa tentar abrir uma comunicação espiritual com eles por meio da oração. Agora, no dia anterior ao Pentecostes, celebramos a abertura da comunhão entre todos aqueles que escolheram viver na e pela graça de Deus, tanto os vivos quanto os que partiram. Conceda descanso, Senhor, às almas de Teus servos que nos precederam! E Feliz Pentecostes que se avizinha, queridos amigos!
Versão brasileira: João Antunes
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