DIA DO ESPÍRITO SANTO

Nesta segunda-feira logo após o Pentecostes, chamada de Dia do Espírito Santo, celebramos o Protagonista da festa de ontem, o Espírito Santo. Mas também estou refletindo sobre os seres humanos, os “atores coadjuvantes”, se preferirem, os apóstolos, e os homens e mulheres reunidos com eles no cenáculo, que tornaram essa festa possível ao recebê-l’O no Pentecostes.

A iconografia de “A Hospitalidade de Abraão” (não em sua versão de Andrey Rublev, redescoberta e popularizada no século XX, mas na versão original, que incluía Abraão e Sara, ou apenas Abraão), nos recorda a importância do ser humano, que recebe o mistério da Igreja. Nossos corações, mentes e corpos precisam estar no estado ou lugar “certo”, para participar ativamente da graça abundante que nos é oferecida pela contínua vinda de Deus até nós na vida sacramental da Igreja, tanto dentro quanto fora de seus muros. É por isso que oramos no Salmo 50/51: “Cria em mim, ó Deus, um coração puro; renova e dá firmeza ao meu espírito”. Um coração “puro” e um espírito “firme” envolvem amor uns pelos outros, também pelos que não são da comunidade, como diz o autor de Hebreus, referindo-se à hospitalidade de Abraão e Sara: “Que permaneça a caridade fraterna. Não vos esqueçais da hospitalidade, pois, graças a ela, alguns, sem o saberem, hospedaram anjos”. Quando nos isolamos, individualmente ou dentro de nossa família ou como uma comunidade (eclesial), podemos, sem querer, perder as revelações de Deus que estão sendo enviadas a nós por meio de “outros”.

Nesta segunda-feira, sou recordado de que o Mistério da Igreja não é uma ideia abstrata, a ser contemplada fora de “nós”. Não existe uma “Igreja” fora ou sem sua manifestação humana, assim como não existe uma Cruz fora do tempo. Os altos e baixos de nossa caminhada no tempo só fazem “sentido” à luz da Cruz. E o ser humano só faz “sentido” à luz do “sentido” eterno ou Logos, o Deus-Homem Jesus Cristo, que nos convida à Sua mesa, na qual o Espírito Santo co-celebra conosco. Nesta manhã de segunda-feira, que eu possa assumir meu papel nesse quadro jubiloso e lidar com minhas responsabilidades, minhas respons/abilidades (ou habilidades para responder aos chamados de Deus para mim) nela. “Dá-me de novo a alegria da tua salvação”, meu Senhor, “e sustenta-me com um espírito generoso”.

Versão brasileira: João Antunes

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